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Uma aliança de civilizações, futuro
para a humanidade Marcelo Barros |
M.Paz |
Nada
mais longínquo da proposta de uma aliança de civilizações do que o massacre
criminoso que o Estado de Israel está perpetrando contra o Líbano, na
continuidade de sua ação de extermínio do povo palestino. É vergonhoso como
as grandes potências, que invadem países pobres sob o pretexto de evitar que
esses possam, um dia, vir a usar armas atômicas, assistam, complacentes, tal
genocídio sem fazer nada para detê-lo. Nestes dias, o governo dos Estados
Unidos enviou sua embaixadora ao Oriente Médio não para pressionar o governo
israelita e exigir o fim dos ataques, mas apenas para evitar que o conflito se
espalhe por outras regiões do mundo onde as grandes potências têm interesses
estratégicos.
Até
aqui, nem a ONU, nem outros organismos internacionais, nem as lideranças
religiosas do mundo estão conseguindo formular uma proposta eficiente de paz.
No dia 15 de fevereiro de 2002, o Fórum Social Mundial convocou a sociedade
civil internacional para se manifestar contra a criminosa invasão do Iraque.
Conforme dados da ONU, de fato, nos cinco continentes e especialmente em todas
as grandes cidades do mundo, ocorreram manifestações pela paz que reuniram
mais de oito milhões de pessoas. Não conseguiram deter o presidente Bush e sua
sede de guerrear, mas contribuíram para fortalecer uma cultura internacional da
paz. É urgente refazer esta mobilização para exigir a paz no Oriente Médio e
que cessem os ataques de Israel contra o Líbano.
O
projeto de uma aliança de civilizações foi formulado na última assembléia
geral da ONU por José Luis Rodriguez Zapatero, presidente do Conselho de
Ministros e chefe do governo da Espanha. Assim como outras propostas
transformadoras, como a de uma taxa a ser paga sobre todo o produto comercial
para combater a pobreza no mundo (taxa Tobin) e a de um projeto internacional
contra a fome, tipo Fome Zero, também a proposta de Zapatero foi criticada por
alguns governos e considerada utópica. Como o filósofo W. Benjamin dizia que
“a utopia é motor da história”, temos o direito e o dever de exigi-la e
espalhar esta idéia para que, no mundo todo, se torne um caminho possível de
paz e justiça.
É
importante saber que, no próprio projeto formulado por Zapatero, há quatro
grandes linhas que podem ajudar a humanidade no começo deste século atribulado
por tantos conflitos:
1
– Um diálogo intercultural e inter-religioso promovido pela própria ONU e
com a finalidade de aproximar as civilizações a serviço da paz (Cf. Revista
Êxodo, abril 2006, p 50). É significativo que esta proposta venha de um
governo civil e não apenas de organismos religiosos. Na Espanha de onde surgiu
esta proposta, quando se fala de diálogo de civilizações, logo aparece em
evidência o contraste entre o Ocidente e a civilização islâmica. É preciso
que esta sociedade perceba que todo fundamentalismo é pernicioso, tanto o
fundamentalismo dito islâmico, como o fundamentalismo neoliberal que torna as
sociedades modernas cada vez mais fechadas e racistas. Para que haja um diálogo
intercultural é necessário nos libertarmos de todo tipo de preconceito.
2
– Uma humanização da Economia de forma que inclua as multidões de pobres
que atualmente são excluídas das mínimas condições de vida. Cada vez fica
mais claro para a maior parte da humanidade que o terrorismo é sempre
injustificável, mas este atual modelo econômico vigente no mundo o propicia e
favorece.
3
– Recolocar a Ciência a serviço da vida dos povos e não do lucro das
grandes empresas. Por exemplo, a medicina já tem condições de vencer diversas
enfermidades, mas existem multinacionais que vivem dos remédios que aliviam,
mas não curam. Estas empresas impedem que se democratizem os caminhos da saúde.
É urgente retomar as sabedorias ancestrais que recuperam métodos de saúde
mais ligadas à natureza.
4
– É imperioso um diálogo com a Planeta que articule de forma mais justa o
necessário desenvolvimento humano e tecnológico com o cuidado com o Terra e a
natureza. Este diálogo supõe uma educação ecológica e exige um investimento
em projetos de caráter eco-filosóficos, eco-teológicos, eco-sociológicos e
assim por diante.
A
ONU, assim como o primeiro-ministro da Espanha, sabem que este projeto de uma
aliança de civilizações já existe concretamente e vem sendo realizado pelo
processo do Fórum Social Mundial. A preparação para o 7º Fórum em Nairobi
no Quênia é um exemplo disso. O importante é que, no dia-a-dia de nossas
vidas e na realidade restrita de nossas relações procuremos viver, desde
agora, esta aliança de civilizações.
| ilustração de Pulika |
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