Por uma nova ONU das nações e dos povos
Marcelo Barros
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M.Paz

criança entrega carta contra fome no mundo Nestes dias próximos a 24 de outubro, data celebrada no mundo como “Dia da ONU”, por ser aniversário da promulgação da Carta das Nações Unidas (1948), acontece em Perúgia, Itália, um encontro internacional da “Mesa para a Paz”, organização que reúne intelectuais de vários países e grupos civis para refletir sobre o papel da ONU no mundo atual. É verdade que a ONU, criada para promover relações justas entre os povos, tem se revelado frágil e, em diversas ocasiões, subserviente ao interesse das grandes potências. Entretanto, apesar disso, ninguém que ama a paz desejará o seu fim e sim o aperfeiçoamento de sua função.

Em fevereiro de 2003, ao constatar que, naquele dia, mais de oito milhões de pessoas no mundo foram às ruas para protestar contra a guerra, Kofi Annan, secretário geral da ONU, declarou: “A partir de hoje, surge um novo parceiro no diálogo internacional: a sociedade civil”. Pois exatamente o desejo de muita gente é uma ONU que envolva também representantes da sociedade civil. Por isso, em 1994, na comemoração dos 50 anos da ONU, a coordenação de movimentos pelos direitos humanos e pela paz na Europa começou uma nova organização: a “ONU dos Povos” que se propõe a organizar um espaço de encontro da sociedade civil mundial e se compromete a promover os direitos humanos para todos e a construir um mundo livre de guerras e opressões, libertado da pobreza injusta e da exploração social.

Um ano depois, a ONU dos Povos teve a sua primeira assembléia geral com a frase que começa a Carta das Nações Unidas: “Nós, povos das Nações Unidas”. De lá para cá, as assembléias vêm ocorrendo a cada dois anos, com debates e propostas que envolvem toda a sociedade civil e um encerramento que junta milhares de pessoas na marcha pela Paz e Justiça.

Apesar de que, a ONU dos Povos tem reunido centenas de intelectuais importantes do mundo e líderes de muitos organismos da sociedade civil, as agências internacionais de notícia não julgaram interessante dar nenhuma notícia. Entretanto, atualmente, os grupos envolvidos neste processo estão divulgando, para ser assinada por quem quiser, uma “Carta aberta à ONU” na qual os signatários insistem: “Nós que assinamos esta carta queremos viver em um mundo sem pobreza e fazemos parte da primeira geração humana que possui os recursos econômicos e tecnológicos para que tornar isso possível. Em setembro de 2000, durante o encontro chamado “Cúpula do Milênio”, 189 chefes de Estado e de Governo se comprometeram a trabalhar juntos para, até 2015, construir um mundo mais seguro, próspero e mais igualitário para todos. Para isso, os líderes dos países ricos e pobres adotaram oito objetivos de desenvolvimento do milênio, como compromisso em erradicar a pobreza extrema e a fome, eliminar as desigualdades de gêneros e a degradação ambiental, além de assegurar acesso à instrução, saúde e água potável para todos. Para que tudo isso seja realmente cumprido até 2015, supõe-se que o mundo caminhe para um modelo de desenvolvimento que ponha a pessoa ao centro das políticas locais, nacionais e globais.

Estes objetivos do Milênio não são ambiciosos demais. A maioria dos especialistas mostra que, tanto econômica como tecnicamente, são plenamente realizáveis. Entretanto, está faltando vontade política dos governos. Quatro anos depois daquele encontro, a situação da pobreza no mundo se agrava e os governos parecem mais longe de cumprir aquilo que prometeram. Fazemos parte da primeira geração da humanidade que pode eliminar o atentado básico aos direitos humanos que é a pobreza e não aceitamos perder esta oportunidade...”

Dificilmente a ONU terá coragem e força para atender aos pedidos desta carta. Mas é importante que os seus dirigentes percebam que no mundo inteiro a sociedade civil se organiza para participar dos destinos do mundo. Uma ONU dos povos corresponde ao que a própria Declaração das Nações Unidas estimula ao propor em seu artigo 28 da Declaração dos Direitos Humanos: “Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional na qual todos os direitos e liberdades enunciados nesta presente Declaração possam ser plenamente realizados”.

Só a sociedade civil organizada e a ação cidadã e solidária de cada um de nós pode fazer com que a ONU não seja apenas um organismo de controle diplomático de Estados em guerra e sim uma instância que favoreça o diálogo entre governos e sociedade civil e realize no mundo uma grande corrente de fraternidade e confiança entre os seres humanos de quaisquer povos e raças da terra.
 

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