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O Dia do Ambiente, Festa da Natureza
Marcelo Barros |
M.Paz |
Em todos os países, se festejam datas como o dia das mães, dos pais, das crianças e dos namorados. Este ano, na França, as diversas organizações de proteção à natureza promoveram como festa o dia da natureza. Neste dia, se organizam passeios ecológicos e visitas a lugares nos quais a natureza está especialmente ameaçada (La Vie, 17/05/2007).
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O fato da ONU consagrar o 05 de junho como dia internacional do Meio Ambiente não se organiza como uma espécie de "dia das mães" da natureza ou da Terra, mas se constitui como uma data para rever as estratégias ecológicas adotadas e para mobilizar mais as populações locais em defesa da Terra, da Água e da Vida. O desafio mais urgente é que já não basta apenas reduzir as conseqüências do desastre que o sistema social e econômico, atualmente dominante, provoca na natureza. Enquanto a sociedade aceitar que a Terra, a Água e todos os seres vivos sejam considerados como mercadoria e o desenvolvimento do mundo tenha como objetivo apenas o lucro de uma minoria, não haverá cura para as feridas da Terra. O próprio futuro da vida estará comprometido. Quem mais ameaça a segurança do planeta não é o Al Qaeda e os grupos terroristas internacionais. A ameaça mais imediata vem de governos, como o dos Estados Unidos, que, pelo fato da sociedade de seus países não aceitar pôr em questão o seu estilo de vida, se negam a assinar tratados que impõem o mínimo controle sobre a emissão de gases tóxicos. No Brasil, o próprio presidente da República também andou se lamentando de que organismos de defesa da natureza impeçam obras que ele considera importantes para o crescimento econômico.
Muitas pessoas chegam a pensar que se o ser humano desaparecesse do planeta, todas as outras criaturas agradeceriam. A própria vida no planeta sairia ganhando. A revista italiana Internazionale publicou uma matéria na qual se imaginava o que ocorreria se, de um dia para o outro, toda a humanidade desaparecesse. Se isso ocorresse hoje, em um primeiro instante, a natureza retomaria o seu lugar. As cidades abandonadas se tornariam ruínas em meio de florestas ou savanas e os animais se desenvolveriam de forma natural. Entretanto, quais seriam as conseqüências de se deixarem abandonadas e sem ter quem ligue e desligue mais de 400 usinas termo nucleares? E as refinadas indústrias de armamentos pesados? Se as centrais elétricas não são devidamente cuidadas, que tipos de tragédias podem provocar? E as refinarias de petróleo, em terra e no mar... A conclusão da reportagem é que a humanidade terá uma função importante na cura da Terra como teve e continua tendo na sua destruição.
Para garantir a continuidade da vida sobre a Terra, precisamos de uma coalizão mundial baseada na Ética de responsabilidade e na retomada da relação de casamento do ser humano com a Terra. Tradições antigas e culturas ancestrais baseavam sua espiritualidade no casamento do ser humano com a Terra. Quem leu "As brumas de Avalon" se lembra do misterioso ritual de acasalamento entre o príncipe, representante da comunidade e a misteriosa donzela, filha da deusa que simbolizava a Terra. A modernidade tornou tudo mais prosaico e as relações do ser humano com a Terra se tornaram mais conflitivas. O trabalho é visto como um ato de exploração da natureza e de domínio humano sobre a terra. As conseqüências deste tipo de civilização têm sido lamentáveis. Aprofundou terríveis desigualdades entre as pessoas, as classes e os paises. Atualmente, 20% da população mundial detém 80% de toda riqueza da Terra. Conforme dados da ONU, as três pessoas mais ricas do mundo possuem ativos superiores a toda a renda de 48 paises, onde vivem 600 milhões de seres humanos. Ainda conforme estes dados, apenas 257 pessoas individuais acumulam mais riqueza que 45% da humanidade. O resultado disso é que 800 milhões de seres humanos passam fome e 2,5 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza. Sobrevivem apenas com dois dólares, ou seja, com um pouco mais de quatro reais por dia. Por causa desta forma de organizar o mundo, a cada ano, morrem 15 milhões de crianças, antes de completar cinco anos. Morrem por doenças facilmente tratáveis. É a perversa injustiça social, da qual todos nós, de certa forma, somos co-responsáveis.
Não será possível qualquer avanço ecológico se não se cuida da Ecologia social. Sem estabelecer uma nova justiça entre os seres humanos, não pode haver relação justa entre a humanidade e a Terra. O casamento com a Terra tem como base uma nova cultura de convivialidade entre as pessoas e um respeito à Vida como energia universal de amor da qual todos dependemos e para a qual todos vivemos. A convivialidade amorosa não pode ser apenas um jeito de ser de cada pessoa, mas deve se tornar uma forma nova de fazer Política.
Em 2000, a UNESCO assumiu a "Carta da Terra", um dos documentos mais importantes do ponto de vista ético e espiritual já proposto à humanidade. Elaborado por uma grande comissão de representantes de várias nações e fruto de uma consulta mundial que durou oito anos ( de 1992 a 2000), propõe uma aliança global para cuidar da Terra e cuidar uns dos outros em defesa da vida e da paz. Esta carta foi proposta à assembléia geral da ONU como uma nova declaração dos direitos não apenas do ser humano, mas de todo ser vivo e da própria Terra como planeta que forma como um organismo vivo, único e sensível.
Esta carta parte do princípio que toda humanidade é uma só. Temos uma única casa comum: o planeta Terra. Mais do que isso, somos parte da Terra. "Somos a própria Terra que, em um momento de sua evolução", começou a sentir, a pensar e a amar" (Leonardo Boff).
Precisamos unir as religiões e colocar em diálogo as diversas culturas da Terra a serviço da vida. Na bela definição da Carta da Terra: "a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terra, com o Todo maior do qual somos parte".
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